Indico o Livro: “Amar ou Depender?” de Walter Riso

Assim como as substâncias químicas, existem relações amorosas que são tóxicas e que viciam. Reconhecer o limite entre o amor e a dependência afetiva, entretanto, nem sempre é fácil. Em Amar ou depender?, o psicólogo Walter Riso, autor de obras que venderam cerca de 2 milhões de exemplares em todo o mundo, mostra os principais problemas atrelados ao apego excessivo e ensina que a cura não só existe como está ao alcance de todos. Neste exato momento, milhares de pessoas encontram-se presas em relações amorosas inadequadas, por motivos que vão desde a insegurança até o medo do abandono. Sofre-se muito por amor: existem maneiras opressivas de amar e relações problemáticas que podem até tornar-se perigosas. Em Amar ou depender? – primeiro livro de Walter Riso lançado no Brasil – o autor propõe uma verdadeira aula de auto-estima e comprova que é possível desvencilhar-se das ataduras psicológicas, ser independente e continuar amando. Com a experiência de ter estado em contato com vítimas do amor doentio e de casos estudados durante vinte anos de exercício profissional, o autor usa a premissa de que amar somente se justifica quando podemos fazê-lo de forma tranqüila e com liberdade. Especialista em terapia cognitiva, Riso traduz conceitos científicos para uma linguagem simples, clara e direta, fazendo de Amar ou depender? um guia para os primeiros passos em direção a uma vida amorosa saudável. Ao final do livro, são apontados exercícios práticos para desligar-se de uma vez por todas de um relacionamento doentio e estratégias para se iniciar uma vida nova sem dependência afetiva. Para todos os que acreditam que é possível amar sem prejudicar seu amor-próprio e fazer da paixão uma experiência plena, proveitosa e feliz.

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Há (Bom) Sexo depois do Casamento?

“Ouvi inúmeras histórias de pessoas com vida sexual rica e instigante durante o namoro e que, depois do casamento, depararam com relações pobres e tediosas. Pesquisas recentes indicam que a maior parte dos casais tem, quando muito, uma relação sexual por semana. O dado é espantoso, especialmente para quem ainda está namorando. Não parece óbvio que o fato de poder dormir junto toda noite tornaria o sexo muito mais acessível e constante?

Somos obrigados a concluir que a excessiva facilidade pode provocar a diminuição da freqüência.
Sim, porque o fato de aquela mulher – ou aquele homem – estar lá todas as noites faz com que tenhamos menos pressa de usufruir dos prazeres derivados de sua presença. Se nos sentirmos um tanto cansados, ou se tivermos tomado um copo de cerveja a mais, já tenderemos a “deixar para amanhã”.

Muitos outros fatores interferem na intensidade do desejo sexual, governado por processos psíquicos complexos e não apenas por nossos instintos. No namoro, a vontade recíproca de impressionar e de seduzir pode se realizar com a intimidade sexual. O homem quer se mostrar extremamente viril e proporcionar sensações desconhecidas à namorada. A mulher quer ser sensual e despertar um desejo irresistível. Revelar-se competente e agradar é também o meio de dominar o amado e assegurar a preservação do elo.

O que acontece após o casamento? A preocupação de se exibir diminui, uma vez que o objetivo foi atingido – o matrimônio é, infelizmente, vivido como a meta final dos que namoram. O ingrediente da sexualidade, que estava acoplado a esse projeto, cai por terra. É bom percebermos que o sexo não é vivido como fonte de prazer. Trata-se muito mais de um instrumento que nos ajuda a conseguir algo que buscamos para a nossa
satisfação. A situação tende a piorar depois que nasce uma criança, pois então se alcança outro objetivo, o da reprodução.

Os casais costumam gastar a maior parte do tempo com problemas; raramente se lembram de que o fato de estar casados não lhes proíbe momentos semelhantes aos que desfrutavam antes. Discutem questões referentes a outros membros da família e a dinheiro. Tudo, enfim, que afasta qualquer mortal dos temas eróticos. Eles quase nunca se propõem a sair a pé para dar um passeio de mãos dadas, tomar um sorvete, sentar num banco e trocar carícias ou palavras carinhosas. Ficam em casa, engordam, assistem a qualquer programa de televisão, brigam e depois, na cama, não podem deixar de se virar um para cada lado. É muito pouco erótico o clima cotidiano dos casais.

Essa noção do casamento como objetivo final dos que se amam é grave. Na verdade, ele deveria ser entendido apenas como uma das etapas da
procura de um convívio rico e gratificante. Somos educados de uma forma tola. Fomos induzidos a pensar que isso aconteceria naturalmente apenas porque nos gostamos e nos casamos. Só aprendemos que não é assim depois de batermos com a cabeça na parede. Nunca é tarde, porém, para mudar. Existem casais que vivem em cotidiano e uma sexualidade ricos. Eles devem servir de exemplo e também de estímulo: se é bom e possível, devemos querer a mesma coisa para nós.”

Flávio Gikovate